Da Polônia à Araucária: a história da imigração Polonesa em Araucária
A história da imigração polonesa em Araucária começa oficialmente em 1876. Naquele ano, famílias vindas de diferentes regiões da Polônia — então dividida entre potências estrangeiras — estabeleceram-se nas terras que formariam a Colônia Thomaz Coelho, dando início a uma presença que se tornaria uma das marcas mais profundas da formação histórica, social e cultural do município.
Não existia, naquele momento, um Estado polonês independente. Desde o final do século XVIII, o território da Polônia estava dividido entre os impérios Russo, Prussiano e Austríaco. Por isso, documentos brasileiros daquele período frequentemente registravam esses imigrantes como austríacos, prussianos, alemães ou russos, ainda que fossem poloneses por origem, língua, religião e identidade cultural.
Em Araucária, destacaram-se especialmente imigrantes provenientes da Galícia e da Silésia.
A criação da Colônia Thomaz Coelho fazia parte da política de colonização desenvolvida durante o governo de Adolpho Lamenha Lins, presidente da Província do Paraná. A estratégia buscava estabelecer colônias agrícolas nos arredores de Curitiba, formando um cinturão produtor de alimentos capaz de abastecer a crescente população da capital.
Os registros oficiais demonstram a dimensão alcançada pela comunidade já nos seus primeiros anos. Em 1877, a Colônia Thomaz Coelho reunia 739 imigrantes poloneses galicianos e Prussianos, sendo 375 homens e 364 mulheres.
Nos anos seguintes, o núcleo cresceu rapidamente. Relatórios provinciais registrariam Thomaz Coelho com 270 lotes ocupados por 1.116 imigrantes poloneses, enquanto outras 117 famílias aguardavam a possibilidade de receber terras.
As famílias pioneiras
Por trás dos números estavam famílias inteiras.
Homens, mulheres e crianças que atravessaram o Atlântico e iniciaram uma nova vida em uma região ainda coberta, em grande parte, pelas matas de araucária.
Os registros históricos preservaram os nomes de muitas dessas famílias. Relações posteriormente reunidas por pesquisadores como Ruy Christovam Wachowicz, em Tomás Coelho: Uma Comunidade Camponesa, e pelo padre Wendelin Swierczek, em A Seara do Semeador, permitem identificar sobrenomes dos imigrantes estabelecidos em Thomaz Coelho e nas comunidades próximas.
Alguns desses sobrenomes atravessaram os séculos e continuam presentes em Araucária. Seus descendentes passaram a integrar diferentes setores da sociedade, mas conservaram, em maior ou menor grau, elementos da cultura trazida pelos primeiros imigrantes.
Mais do que uma relação de nomes, a lista das famílias pioneiras representa o começo de centenas de histórias familiares que se entrelaçariam com a própria história de Araucária.
Uma nova vida entre as araucárias
Ao chegarem, os colonos encontraram uma realidade muito diferente daquela que conheciam na Europa. Receberam lotes e passaram a derrubar a mata, preparar a terra, construir suas casas e estabelecer pequenas propriedades agrícolas.
A proximidade com Curitiba era estratégica. A produção das colônias deveria contribuir para o abastecimento da capital, e os colonos passaram a comercializar aquilo que produziam.
Mas eles não reconstruíram apenas suas vidas econômicas.
Trouxeram consigo a língua polonesa, a religiosidade católica, os costumes familiares, a culinária, as músicas, as celebrações e uma maneira particular de organizar a vida comunitária.
Pouco a pouco, no interior do Paraná, reconstruíam elementos da terra que haviam deixado do outro lado do Atlântico.
E começava assim, em 1876, uma história que atravessaria gerações e ajudaria a moldar a identidade de Araucária.